7 de janeiro de 2018

Philanthropie


Já com os pés num novo ano,
tantas foram as vezes em que me detive,
naquele que terminou,
cercado de dúvidas e pensamentos voláteis.

Vezes em que olhei para este Mundo,

tomado de violência, falsidade e exterioridades perversas
e me senti longe de «casa»
e da natureza que perfilho.

Nessa vaga de convulsões e dubiedades

compreendi que,
desta minha mania de ser quem sou,
não disponho, ainda que com isso sofra.

Permaneço comprometido com dois esteios:

O de, independentemente do destino, proteger e estimar os meus;
Bem como de, atípicamente, conservar fenómenos mentais próprios.

Assim, comecei 2018:


Pegando em algo que me era destinado, 

e desse fruto me privado,
junto de alguém
um pouco de felicidade semeei.

15 de junho de 2017

Errado (e mais)


Não me sabia,
não me encontrei.
Naquela poesia,
em cada hora que pousei.

Senti tanto,
que de tanto não quero explicar,
Sofri (e sofro),
e disso faço questão de lembrar.

Dirias errado,
eu explicaria feitio.
Pedias que fosse passado,
e eu pedia quem me traiu.

Em tanto que leio,
em mais que não entendo.
Novo, o tempo que veio,
porém, velho, o que me fica moendo.

Mas, das sombras da multidão,
dos dias de névoa,
um anjo apareceu
e clareou a escuridão.

Na pele áspera e fria,
se encostou uma mão.
E lentamente, dia após dia,
chegou ao coração.

Do mais, 
soube aprender,
que de ti jamais
me disponho a perder.


Para ti

Para quem mais,
não podia ser.


23 de março de 2017

Uma Década


Num ano em que assinalo uma década desde a fundação deste meu «canto», tenho 5 considerações a fazer.

I

Quando empreendi este espaço, tudo era diferente.
Era um miúdo, sonhador, firme e determinado em conquistar o Mundo. Culminava os meus estudos secundários, tinha começado a trabalhar neste ano e tinha os meus planos em marcha para o que se seguia em detrimento daquele ciclo.
No utópico pensée de um garoto; Tinha o Mundo a meus pés.

II

Perto de cumprir 20 anos, experimentei uma série de transformações, umas intencionais, outras naturais, que me marcaram. No seio familiar, no meu meio social, nas relações, nas convicções, nas minhas motivações... O meu Mundo movia-se e eu, irrequieto, atirava-me à sua descoberta, custasse o que custasse.

III

O oficio que escolhi mudou muito de mim e, assim, da minha vida.
Cresci, vi e aprendi como nunca em 12 anos de escolaridade ou 21 de vida. Não existem palavras, voltas que se possam dar ou teorias sobre o que conheci nesta "vida". Tenho graças a ela, aprendizagens eternas, histórias únicas e uma percepção (muito) mais humilde de todos os tópicos que se atravessam no meu percurso.

IV

Os anos passaram e compreendi que queria mais. Queria algo tão simples, mas tão precioso, como independência. Não que não a tivesse, mas desejava-la na verdadeira asserção e, porque o sonho comanda a vida, fui atrás dela.
Esse caminho, espécie de investigação ego-cientifica, levou-me a outros pontos, a outras lições. A whole new world...
Um Homem é tão só carácter e responsabilidade, A assunção do eu - ser. Questionar, ir a jogo, suar e lutar. Responder e assumir.

V

Hoje, 2017, à imagem da sociedade actual, onde silêncios se misturam com uma violência amoral sem escala, a minha vida encontra retrato nesta ideia de cisão.
Por um lado, a assolação deste momento inerte, por outro as ideias, a construção retomada e o projecto de independência cada vez mais consolidado, descrevem um quadro de perfeito contraste.


Nas aprendizagens, nos frutos da diferença e sua constante indagação, a ponderação colhe os corolários da experiência humana



Volvida uma década, o mesmo miúdo, com dúvidas diferentes (e em multiplicada quantidade), continua na luta

3 de novembro de 2016

Vivendo (e aprendendo)


Lembro-me de num episódio de infância,
em que terei ficado indignado com uma qualquer situação de injustiça que em mim se abateu,
de alguém mais velho, investido de uma experiência em muito superior,
sabiamente me dizer algo como: 
"Não dês importância, verás que ao longo da vida passarás por situações muito piores do que essa".

Verdade, nua e crua.

Vivo e aprendo, é certo, mas parece que nunca o suficiente para o que ainda há de vir.

Parece por vezes que tudo está ao contrário. 
Ou será que tudo está como tem de estar e ao contrário estou eu?

Sei lá. 

Lá sei eu o que vai no ADN destas gentes.
Lá sei eu onde andam Homens e Mulheres de verdade.
Só sei que pisam, e sujam, e esquecem, e cortam relações com a viúva da Integridade.

Hoje, em mais uma noite desta «vida» que escolhi,
em mais uma noite que me mantenho alerta,
para que todos os outros, que nem desconfiam da existência de Homens como eu,
possam ter uma noite de descanso e paz nas suas casas,
voltei a ter um destes embates,
que nos desassossegam, neutralizam e estremecem o espírito.

A vida não é justa.
Se não o é para mim, menos é para um Sírio ou um Venezuelano.
Mas raios partam se não há podridão maior que aquela que o ser humano permite cultivar dentro si e sem qualquer inibição ou pudor a deixa sair, contaminando o ar que é de todos. 


Mais brio.
Mais ética.
Menos sujeitos de interesses.

5 de março de 2016

Sui Generis


Prefiro não pensar em ti

Gosto da quietação de um final de dia
Prezo a paz da minha solidão interior

Foram anos gélidos e impiedosos
de mordaça na alma e temor pelos ossos

Sui generis, de resto

Para quê?
De que valia?

Jamais nos converteremos
em algo que não nos corre pelo sangue

A mim corre mais do que o principio
basilar da manutenção da compleição humana

Há por aqui vida, temperamento, energia,
cuidado, alegria e amor

E eu estou bem assim