24 de janeiro de 2014

Chaleur


Ia descendo a rua
e ia sentindo o frio das 23h00 de uma noite de Janeiro

Ia vagueando,

eu e centenas de pensamentos,
que se instalavam sem autorização na minha mente


Ia voando,

sobre o mar, sobre a serra, em direcção ao céu,
com asas quebradas


Ia escorrendo,
o tempo, a esperança, a alma

Mas, a primeira pessoa do pretérito imperfeito,
do verbo ir, terminou:
Eu senti o quente do Sol na minha pele...

Foi assim,

caminhava eu na linha entre o Mar e a Terra
e senti longos campos de trigo por entre os meus dedos

Tinha o céu, a Lua e suas companheiras de quadro,
las estrellas, sobre mim,
quando senti o quente da tua voz, da tua pele, em mim...

Tinha acordes latinos a tocar pelo quarto,
tinha o teu cheiro, as feridas que me deixaste,
quando as saudades me sufocaram

E o pretérito não mais teve lugar,
não mais feriu a derme, 
o core, do meu ser

Eu sou presente,

toda a parte de mim, todo o átomo,
todo o litro de sangue, toda a vez que respiro..

E nós, meu Sol...
Agora é entre nós.
Se já falámos em pretérito, em presente...


O que seremos nós?



Ser Jovem
Nem mais, nem menos