3 de novembro de 2016

Vivendo (e aprendendo)


Lembro-me de num episódio de infância,
em que terei ficado indignado com uma qualquer situação de injustiça que em mim se abateu,
de alguém mais velho, investido de uma experiência em muito superior,
sabiamente me dizer algo como: 
"Não dês importância, verás que ao longo da vida passarás por situações muito piores do que essa".

Verdade, nua e crua.

Vivo e aprendo, é certo, mas parece que nunca o suficiente para o que ainda há de vir.

Parece por vezes que tudo está ao contrário. 
Ou será que tudo está como tem de estar e ao contrário estou eu?

Sei lá. 

Lá sei eu o que vai no ADN destas gentes.
Lá sei eu onde andam Homens e Mulheres de verdade.
Só sei que pisam, e sujam, e esquecem, e cortam relações com a viúva da Integridade.

Hoje, em mais uma noite desta «vida» que escolhi,
em mais uma noite que me mantenho alerta,
para que todos os outros, que nem desconfiam da existência de Homens como eu,
possam ter uma noite de descanso e paz nas suas casas,
voltei a ter um destes embates,
que nos desassossegam, neutralizam e estremecem o espírito.

A vida não é justa.
Se não o é para mim, menos é para um Sírio ou um Venezuelano.
Mas raios partam se não há podridão maior que aquela que o ser humano permite cultivar dentro si e sem qualquer inibição ou pudor a deixa sair, contaminando o ar que é de todos. 


Mais brio.
Mais ética.
Menos sujeitos de interesses.