18 de abril de 2018

Artéria


Leve, levemente,
Se pôs a alma dormente.
Nem o dia que começou,
esta inércia agitou.

Ao espelho vejo um corpo,
mas sem escopo.
No silêncio uma alma,
sem calma.

Vivo desolado,
numa gnose turva,
de peito e sonhos crivados.

Imagino um livro, 
molhado e rasgado pela chuva.
Tão eu, tão verdade.

Nada mais do que se disse:
É este sangue, é cada batimento.

Nada mais que a verdade
mostram o desespero e a solidão.

Índoles que correm e se esquecem
nos vasos e artérias deste doente coração.