11 de setembro de 2018
Caule
Se eu não for,
quem vai ser
que me inquieta pelo amanhecer?
Se o meu lugar não é este,
tens de largar a minha mão
e libertar o meu coração
Os meus sonhos
são de asas e mar,
de levar a vida a navegar
Não me reconheço aqui,
às voltas em ruas
que ainda são tuas
Não me quero neste corpo,
em roupas e em gestos
que castigam homens honestos
Só quero um beijo,
de adeus ou de liberdade,
de tudo quanto caiba numa verdade.
5 de setembro de 2018
Torpor
Condição de ter a sensibilidade,
geralmente associada a dor,
suprimida ou temporariamente removida.
Do que falo?
Anestesia.
São dias normais,
os que adormecem corações e
rompem velhas orações.
As saudades do futuro,
são a curiosidade do passado,
desprezado, ignorado.
Cores espalhadas,
histórias que fundaram instituições,
são hoje reduzidas a pixeis, fracções.
Passo a vida sobre a desordem,
persistindo e a tremer,
ensaiando e a escrever.
São as minhas horas, a minha verdade,
de tudo e de nada,
do lume de uma alma fascinada.
O escopo ganha talhe,
deflagra o rastilho
duma sociedade sempre sob o gatilho.
E a todos, mas a cada um, urge saber
onde e como vai acabar
esta anestesia que nos vai matar.
“As nossas discórdias têm a sua origem nas duas mais copiosas fontes de calamidade pública: a ignorância e a debilidade.”
S. Bolívar
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