24 de agosto de 2019

A nossa vez


Tenho para mim,
e cimento-o com o transcorrer do tempo,
que a nossa passagem pelo Mundo
reflete muito mais do que uma experiência biológica.

O fenómeno que coloca o planeta sob as rédeas do Homem,
é tão mutável e efémero
como aquele que separa a vida da morte.
Hoje vivemos. Amanhã, só o curso da vida o determinará.

O Mundo que encontrámos,
quando nós próprios nos encontrámos enquanto seres,
não foi carreado até nós para nosso exclusivo usufruto ou regozijo,
alheio às gerações sequentes e devasso com as precedentes.

Foi sim, a nossa vez.

Tudo o que nos antecede e que, sejamos diretos,
é tão maior que o síndrome de egoísmo que tomou os nossos dias,
reclama um exercício profundo de continuidade,
da nossa parte, enquanto tecido da comunidade.

Só a união e a verdade,
em torno de um desígnio para a humanidade,
podem assegurar um horizonte de esperança,
ideais de justiça e a paz como herança.

Entre a mentira e as costas voltadas,
haverão sempre as imagens de um pulmão que arde,
de irmãos que se atemorizam
ou de uma alegoria, atordoante, que nos impõem para a eternidade.

Haverá sempre outro glaciar a derreter,
milhões de migrantes com a vida suspensa,
intimação nuclear, contrainformação, maus políticos,
fome e chacino dos mais fracos.

A harmonia entre os membros da família humana
pressupõe um compromisso implícito e perpétuo
entre todos os que partiram, os que ainda não encarnaram
e cada um de nós.

e esta,
é a nossa vez.