16 de abril de 2024

Cuantas veces te quiero

¿Tienes alguna idea?

Te quiero en la mañana, para que me devuelvas la luz de tu Ser.
De noche, para renacer a tu lado.

Cuando me haces un café, con tus ojos ladrones de sueño
y ese aroma tuyo, tórrido, arraigado desde la raíz.

Te quiero cuando estoy contigo, ¿cómo no iba a hacerlo?, porque el tiempo se detiene.
Pero también cuando estamos lejos, porque la distancia sempre lo hace volar hacia ti.

En las calles y en mis pensamientos, estás a mi lado.
Palma con palma, corazón con corazón, en un latido sincronizado.

¿Sabes cuantas veces te quiero?

¿Alguna vez te lo has preguntado?

Te quiero en un banco junto al río, acompañados de una botella de vino,
y te quiero, al otro lado del Océano, libres de todo.

Porque sólo conociendo nuestra naturaleza,
somos verdaderamente libres.

Te quiero cuando te proteges, porque es cuando – genuinamente – abres tu alma a la mía, y te siento en ese precipício.
Como cuando te dejas llevar, y aceptas recorrer el mismo camino, aunque sea con los ojos cerrados.

¿y sabes?

Porque sin querer cambiar nada,
cambiaste todo.

Y por eso,
sólo te quiero dos veces:

Ahora y siempre.

9 de fevereiro de 2024

Consciência

É ela quem mais importa.

Não se abdica, muito menos se vende, não fosse tão necessária como o ar, para respirar e alimentar.

É anterior a todas as outras formas de razão e ordem, como é a lei. 

Cada pessoa tem em si o dominus das suas ações e - especialmente - razões, o que faz com que qualquer transferência do seu substrato para um promotor de normas de conduta - que lhe é estranho, o legislador, seja, na essência, um fenómeno exótico. 

É uma neosubserviência. Uma submissão voluntária, embora (desde a génese) irrefletida.

Só o amor à Liberdade e à justiça merecem a devoção dos homens. Não as leis, não os Estados ou as vogas da época.

O respeito cego às leis da época já tornou os mais bem intencionados seres em implacáveis agentes de injustiça.

A lei, per si, não nos torna mais justos.

Só a consciência (individual) nos livra da servidão e funda uma regime de justiça entre irmãos.

29 de dezembro de 2022

O poder de discernir

O passar do tempo tem me trazido, acima de tudo, o poder de discernir.

Aos 10 ou aos 20 tinha tudo, excepto o discernimento para colher - no meio de tudo aquilo tinha - o melhor.

Com o lento transcorrer do tempo, essa excepção metamorfoseia-se e dá lugar a uma sábia capacidade para compreender o que acontece, quem me rodeia e qual o meu papel nos lugares por onde se cruza o meu caminho.

Não podia pedir melhor.

9 de outubro de 2022

O silogismo matriz

Com o Amor desaparece a mentira.
Só existe verdade onde há Liberdade.
O fenómeno do Amor representa, em si, a plenitude do Ser livre. 

26 de maio de 2021

Livre

 

Livre, é o que eu sou,
quando de ser me posso esquecer.
A liberdade que alguém te outorgou,
É tão só uma astúcia de submeter.
Que nunca a nossa conformação
se alimente com pão.
O limite do homem pelo próprio irmão,
jamais será libertação.
A existência é uma soma de amar,
como os nossos sonhos, de asas e mar.
A liberdade não pode conter nunca o fruto
de se ser em absoluto.

24 de agosto de 2019

A nossa vez


Tenho para mim,
e cimento-o com o transcorrer do tempo,
que a nossa passagem pelo Mundo
reflete muito mais do que uma experiência biológica.

O fenómeno que coloca o planeta sob as rédeas do Homem,
é tão mutável e efémero
como aquele que separa a vida da morte.
Hoje vivemos. Amanhã, só o curso da vida o determinará.

O Mundo que encontrámos,
quando nós próprios nos encontrámos enquanto seres,
não foi carreado até nós para nosso exclusivo usufruto ou regozijo,
alheio às gerações sequentes e devasso com as precedentes.

Foi sim, a nossa vez.

Tudo o que nos antecede e que, sejamos diretos,
é tão maior que o síndrome de egoísmo que tomou os nossos dias,
reclama um exercício profundo de continuidade,
da nossa parte, enquanto tecido da comunidade.

Só a união e a verdade,
em torno de um desígnio para a humanidade,
podem assegurar um horizonte de esperança,
ideais de justiça e a paz como herança.

Entre a mentira e as costas voltadas,
haverão sempre as imagens de um pulmão que arde,
de irmãos que se atemorizam
ou de uma alegoria, atordoante, que nos impõem para a eternidade.

Haverá sempre outro glaciar a derreter,
milhões de migrantes com a vida suspensa,
intimação nuclear, contrainformação, maus políticos,
fome e chacino dos mais fracos.

A harmonia entre os membros da família humana
pressupõe um compromisso implícito e perpétuo
entre todos os que partiram, os que ainda não encarnaram
e cada um de nós.

e esta,
é a nossa vez.

7 de agosto de 2019

Os nossos dias


Ouvia hoje, John Lennon.
A música, redentora da alma, "Imagine".

O desvairo de pensar que o nome da artista poderá soar familiar às novas gerações,
não passa disso mesmo: Um desvairo.

Sossega-me, pelo menos, crer que detém esse efeito o nome da canção.

Sem querer encarnar a pele de um velho do Restelo, mas sem salvação aparente dessa qualificação,
hoje, como em outras pontuais ocasiões,
perdi-me nesta ideia melindrosa, aqui e agora desencarcerada.

John Lennon, a par de uma legião de notáveis artistas,
faz hoje muito mais sentido
e não é de ordem política
a razão pelo qual aqui o trago.

O tecido musical que separa a «nova música» daquela que hoje resgato,
é muito mais amplo do que o momento cronológico, a qualidade e meios da gravação ou mesmo as gadelhas compridas.

A mensagem. A emissão emocional. O rugido de revolta. O ímpeto hostil. Todos eles, são matéria nova.

Ora, quando percorremos um feed de notícias ou assistimos a um telejornal, raras não são as vezes em que somos encarados por imagens de violência, cólera e muito pouca humanidade, por entre outros de nós, iguais a nós.

O Mundo talvez precise de mais Lennons, Marleys e outros tantos que não tinham paralelo na habilidade de espalhar a compaixão e benevolência pelo próximo.

Mais, muito mais, pelo que nos une. Sempre menos, pelo que nos separa.

5 de março de 2019

Aço


Hoje, 
num apontamento breve,
mas de comoção justa,
traço sobre um tal.

É lhe cabido, 
tal respeito e veneração,
que pobre é a fórmula verbal
que o tenta conter.

Perene,
É o gesto amigo,
que atende, ouve e singulariza
um homem leal.

Fortúnio,
daquele que cruza o seu caminho
com o de um ser inusitado,
em predicados e notáveis intentos.

Para si,
São estas parcas locuções,
que nada mais forjam,
se não o tecido desta amizade.

De Aço,
é o liame construído,
entre dois caminhantes solitários
num Mundo esparso.


26 de outubro de 2018

Mais


Só uma vez,
um breve minuto.

Dois suspiros,
o teu perfume.

Três erros,
noite fora.


11 de setembro de 2018

Caule


Se eu não for,
quem vai ser
que me inquieta pelo amanhecer?

Se o meu lugar não é este,

tens de largar a minha mão
e libertar o meu coração

Os meus sonhos

são de asas e mar,
de levar a vida a navegar

Não me reconheço aqui,

às voltas em ruas
que ainda são tuas

Não me quero neste corpo,

em roupas e em gestos
que castigam homens honestos

Só quero um beijo,

de adeus ou de liberdade,
de tudo quanto caiba numa verdade.

5 de setembro de 2018

Torpor


Condição de ter a sensibilidade,
geralmente associada a dor, 
suprimida ou temporariamente removida.

Do que falo? 

Anestesia.

São dias normais, 
os que adormecem corações e
rompem velhas orações.

As saudades do futuro,
são a curiosidade do passado,
desprezado, ignorado.

Cores espalhadas, 
histórias que fundaram instituições,
são hoje reduzidas a pixeis, fracções.

Passo a vida sobre a desordem,
persistindo e a tremer,
ensaiando e a escrever.

São as minhas horas, a minha verdade,
de tudo e de nada,
do lume de uma alma fascinada.

O escopo ganha talhe,
deflagra o rastilho
duma sociedade sempre sob o gatilho.

E a todos, mas a cada um, urge saber
onde e como vai acabar
esta anestesia que nos vai matar.



“As nossas discórdias têm a sua origem nas duas mais copiosas fontes de calamidade pública: a ignorância e a debilidade.”
S. Bolívar

22 de junho de 2018

Nestes dias


Embora os dedos tremam
no segundo em que tocam a terra,
o feixe das manhãs
é amplo, é longínquo.

E os cheiros?
E os sonhos?

E as coisas que ficaram por dizer
antes sequer de te conhecer?

Tenho escopo de pássaro 
e alma de marinheiro.

É no céu que me guio
e no mar que me solvo.

Não sou vida, 
se não índole, inspiração e liberdade.

Tão inócuas, tão desprovidas.

18 de abril de 2018

Artéria


Leve, levemente,
Se pôs a alma dormente.
Nem o dia que começou,
esta inércia agitou.

Ao espelho vejo um corpo,
mas sem escopo.
No silêncio uma alma,
sem calma.

Vivo desolado,
numa gnose turva,
de peito e sonhos crivados.

Imagino um livro, 
molhado e rasgado pela chuva.
Tão eu, tão verdade.

Nada mais do que se disse:
É este sangue, é cada batimento.

Nada mais que a verdade
mostram o desespero e a solidão.

Índoles que correm e se esquecem
nos vasos e artérias deste doente coração.

8 de março de 2018

Ao Contrário


Num planeta tão longe do seu âmago,
em que todos os dias nos falta o tempo,
mas nos sobram preocupações e focos de conflito,
eu quero atravessar.

Na outra margem da vida há algo mais.

Existem risos, calor e esperança.

Há florestas, árvores e raízes.

Há olhares, gestos e poucos juízes.

Há mar, marés e marinheiros.

Há amor, dor e sentimentos verdadeiros.

Uma existência sempre plena,

contrapõe-se às insuficiências,
à embriaguez e ao vazio deste lado.

Um dia como se fosse o dia,

deixará para trás os dias e
Sol que a alguns queima a pele,
aquecer-nos-á a alma.

Se estou ao contrário?
Cada vez mais.

7 de janeiro de 2018

Philanthropie


Já com os pés num novo ano,
tantas foram as vezes em que me detive,
naquele que terminou,
cercado de dúvidas e pensamentos voláteis.

Vezes em que olhei para este Mundo,

tomado de violência, falsidade e exterioridades perversas
e me senti longe de «casa»
e da natureza que perfilho.

Nessa vaga de convulsões e dubiedades

compreendi que,
desta minha mania de ser quem sou,
não disponho, ainda que com isso sofra.

Permaneço comprometido com dois esteios:

O de, independentemente do destino, proteger e estimar os meus;
Bem como de, atípicamente, conservar fenómenos mentais próprios.

Assim, comecei 2018:


Pegando em algo que me era destinado, 

e desse fruto me privado,
junto de alguém
um pouco de felicidade semeei.

23 de março de 2017

Uma Década


Num ano em que assinalo uma década desde a fundação deste meu «canto», tenho 5 considerações a fazer.

I

Quando empreendi este espaço, tudo era diferente.
Era um miúdo, sonhador, firme e determinado em conquistar o Mundo. Culminava os meus estudos secundários, tinha começado a trabalhar neste ano e tinha os meus planos em marcha para o que se seguia em detrimento daquele ciclo.
No utópico pensée de um garoto; Tinha o Mundo a meus pés.

II

Perto de cumprir 20 anos, experimentei uma série de transformações, umas intencionais, outras naturais, que me marcaram. No seio familiar, no meu meio social, nas relações, nas convicções, nas minhas motivações... O meu Mundo movia-se e eu, irrequieto, atirava-me à sua descoberta, custasse o que custasse.

III

O oficio que escolhi mudou muito de mim e, assim, da minha vida.
Cresci, vi e aprendi como nunca em 12 anos de escolaridade ou 21 de vida. Não existem palavras, voltas que se possam dar ou teorias sobre o que conheci nesta "vida". Tenho graças a ela, aprendizagens eternas, histórias únicas e uma percepção (muito) mais humilde de todos os tópicos que se atravessam no meu percurso.

IV

Os anos passaram e compreendi que queria mais. Queria algo tão simples, mas tão precioso, como independência. Não que não a tivesse, mas desejava-la na verdadeira asserção e, porque o sonho comanda a vida, fui atrás dela.
Esse caminho, espécie de investigação ego-cientifica, levou-me a outros pontos, a outras lições. A whole new world...
Um Homem é tão só carácter e responsabilidade, A assunção do eu - ser. Questionar, ir a jogo, suar e lutar. Responder e assumir.

V

Hoje, 2017, à imagem da sociedade actual, onde silêncios se misturam com uma violência amoral sem escala, a minha vida encontra retrato nesta ideia de cisão.
Por um lado, a assolação deste momento inerte, por outro as ideias, a construção retomada e o projecto de independência cada vez mais consolidado, descrevem um quadro de perfeito contraste.


Nas aprendizagens, nos frutos da diferença e sua constante indagação, a ponderação colhe os corolários da experiência humana



Volvida uma década, o mesmo miúdo, com dúvidas diferentes (e em multiplicada quantidade), continua na luta

3 de novembro de 2016

Vivendo (e aprendendo)


Lembro-me de num episódio de infância,
em que terei ficado indignado com uma qualquer situação de injustiça que em mim se abateu,
de alguém mais velho, investido de uma experiência em muito superior,
sabiamente me dizer algo como: 
"Não dês importância, verás que ao longo da vida passarás por situações muito piores do que essa".

Verdade, nua e crua.

Vivo e aprendo, é certo, mas parece que nunca o suficiente para o que ainda há de vir.

Parece por vezes que tudo está ao contrário. 
Ou será que tudo está como tem de estar e ao contrário estou eu?

Sei lá. 

Lá sei eu o que vai no ADN destas gentes.
Lá sei eu onde andam Homens e Mulheres de verdade.
Só sei que pisam, e sujam, e esquecem, e cortam relações com a viúva da Integridade.

Hoje, em mais uma noite desta «vida» que escolhi,
em mais uma noite que me mantenho alerta,
para que todos os outros, que nem desconfiam da existência de Homens como eu,
possam ter uma noite de descanso e paz nas suas casas,
voltei a ter um destes embates,
que nos desassossegam, neutralizam e estremecem o espírito.

A vida não é justa.
Se não o é para mim, menos é para um Sírio ou um Venezuelano.
Mas raios partam se não há podridão maior que aquela que o ser humano permite cultivar dentro si e sem qualquer inibição ou pudor a deixa sair, contaminando o ar que é de todos. 


Mais brio.
Mais ética.
Menos sujeitos de interesses.

5 de março de 2016

Sui Generis


Prefiro não pensar em ti

Gosto da quietação de um final de dia
Prezo a paz da minha solidão interior

Foram anos gélidos e impiedosos
de mordaça na alma e temor pelos ossos

Sui generis, de resto

Para quê?
De que valia?

Jamais nos converteremos
em algo que não nos corre pelo sangue

A mim corre mais do que o principio
basilar da manutenção da compleição humana

Há por aqui vida, temperamento, energia,
cuidado, alegria e amor

E eu estou bem assim

17 de outubro de 2015

Os Tempos e Portugal


Tenho dito, a quem me ouve, a quem lida comigo, que a matéria à nossa volta, humana ou material, já não é a mesma.
O homem mudou. Por consequência, mudou o Mundo. Mudou o ar que respiramos.

Tenho falado (e pensado) muito na educação. A educação, esse maldito desafio cíclico e ambíguo que surge perante cada geração, testando a sua solidez e composição.


Está esquecida, embargada pela hermética procura dos intentos pessoais e profissionais dos pais, irmãos, professores, juristas, governantes e estadistas do século XXI. 


Pena que se mudem os tempos e se deteriorem educações, conceitos e almas.


Há 41 anos, culminava no nosso país a mais bonita aspiração do homem, do ser, a liberdade.


Nessa altura, era a música, a mais bela das artes produzida pelo homem, que espalhava energia, luz e esperança por entre nós Portugueses. Nessa fase ímpar da nossa história, eram canções como "Grândola Vila Morena", "E Depois do Adeus" ou "Uma Gaivota Voava, Voava" que nos arrepiavam. 


Eu próprio, que não a vivi na pele esse tempo, sou testemunha e sintoma dessa educação. Sinto-a, como se dela fizesse parte. Canto o Hino, com esplendor da alma e força da memória que cultivei.


Um pequeno à parte: Talvez por tempos como esses se tenha também produzido uma geração de músicos única, como nunca mais existiu, dentro e fora de fronteiras.


Mas, os tempos são outros, eu sei.


Não sei se a explicação está na globalização, nos estadistas, mercados, Schengen, banca, não sei.


Sei sim, que a educação mudou. O outrora valor do compromisso, é agora substituído pela emergência do interesse e tudo o que ele implica. O individuo do século XXI não está preocupado com ética ou moral. Isso são temas que se leccionam naquela cadeira de deontologia que se teve na faculdade e nada mais. Preocupa-lhe apenas a forma mais directa de percorrer o caminho que se propõe a fazer.


Sei que, as pessoas com que me cruzo na rua já não sabem agradecer a um carro que para para elas passarem. Que as pessoas que outrora caminhavam pela rua, ouvindo o cantar dos pássaros e contemplando toda a envolvência, que no fundo é o facto único e imensurável de estarem vivos, hoje apenas caminham, pois a sua vida está confinada a um smartphone e é nele que elas estão, respiram e sentem. Que artistas escrevem e cantam com violência, revolta (porque sim), obscenidade, perversidade, porque não encontram mais nenhuma outra maneira de conquistar a nossa atenção. Que governantes esqueceram o significado do termo "missão": Governar é apenas um ponto de descolagem pessoal e profissional para o que se segue nas suas vidas. Que respeito pela conduta se extinguiu em detrimento do respeito pelo medo. Que todos os dias, homens matam e morrem por crença religiosa, desprezando toda a sua condição singular e incomparável de seres humanos, cuja natureza brindou com uma oportunidade exclusiva de experiênciar este desafio fascinante que é a vida. Que gosto, dia após dia, mais dos animais do que qualquer outro ser neste planeta. 


Indigna-me profundamente que no meu país, onde só há 41 anos sabemos o que é a liberdade em toda a sua transversalidade, onde antes disso (e para isso) acontecer, morreram homens valentes, corajosos, elevando a voz, causa e aspiração de todo um povo que queria ser mais, tenham deixado o leme deste nosso país nas mãos de quem o quiser guiar. 


43% dos portugueses disseram isto. 


A expressão "não quero saber", foi o rosto de quase metade do nosso país.




Acorda Portugal

5 de agosto de 2015

Blindagem


Num jeito e imagem diferente daquilo que têm sido as últimas coisas que escrevo neste espaço, hoje, dia em que regresso às minhas funções profissionais, ainda que com relevante condicionamento físico, depois de 1 mês de recuperação, registo algo que jamais morrerá com o tempo.

Faço-o aqui, no meu blog, no meu lugar.


Dia 2 de Julho de 2015, era o primeiro dia de umas férias que eu ansiava.
Férias que ansiava tanto quanto precisava. Para descansar o espírito e viajar a mente.

Nesse mesmo dia, ficou combinado ir até Sintra, Colares, ter com o meu irmão de 16 anos, para irmos até uma praia relaxar e brincar um pouco, como sempre fizemos.

Assim foi. Fomos até à praia do Magoito, costa de Sintra.

Escolhemos um lugar afastado da confusão, calminho, com espaço para nós e para as nossas brincadeiras.

Depois do sol quente a bater na pele, só apetece mesmo contrastar com um mergulho na água gelada de Sintra... ou não! Mas lá fomos até ao Glacial Árctico, em busca desse refresco (garantido).

Estava bandeira amarela e umas ondas jeitosas para ficar sem calções de banho! Mas nós lá nos importamos com isso, ah!

Lá andávamos, a desafiá-las, furando-as, para não enrolar claro, mas a cantar, em alto e bom som, vigorando toda a energia e alegria que sentíamos ali, naquele momento.

Na minha prudência de irmão mais velho, a certa altura terei dito que chegava de ondas e estendermos-nos na toalha seria o programa que se seguia, mas ele, a desfrutar das ondas vibrantes do Atlântico, pediu para ficarmos, apenas mais um bocadinho, e eu fiquei.

Repeti a sugestão. Ele repetiu a sua vontade e entusiasmo. Eu fiquei.

Navegando naquele mar, já longe do sitio onde tínhamos pé, mas sempre na nossa cantoria, sinto um estalo no meu ombro direito. Já era!

Fiquei sem ombro, sem braço, sem remo.

Parecia o começo de um filme. Vendo bem, parecia mais o fim daquilo que é real.
Lutei, tanto psicológica como fisicamente, mas de pouco valia. Ali precisava mesmo era do meu braço de volta, daquele que me traiu na boca do lobo.

Passei momentos de aflição, sofri, vi-me no rodapé de um telejornal, mas mantive a minha vontade de voltar a por os meus pés em terra firme e sair daquele filme que eu não quis ver. Mas isso, essa vontade, não faria milagres e por mais forte que fosse, não vencia as leis da física que naquele momento estavam todas contra mim.

A meu favor tinha o meu irmão.

Num cenário em que nunca me tinha visto, e já estive em alguns que quase me rebentaram o peito de tanto porem o meu coração a bater, o meu irmão apareceu. Também lutando contra um mar que subitamente se enervou, ele veio até mim. Não me conseguiu agarrar como eu precisava, o que naquelas circunstâncias nem o Mcnamara conseguia, mas eu senti a sua coragem, a sua adrenalina ali e acima de tudo, bem lá em cima mesmo, o seu companheirismo.

Isso foi tudo. O facto dele ter dividido aquela luta que não tinha de ser dele comigo, foi tudo. 

Lutei ainda mais, matei a sede de água del mar para os próximos vinte anos, bati naquelas rochas macias e delicadas, passei dois, três minutos difíceis, como nunca tinha passado. No final e viajando um mês desde o episódio, estou aqui, a escrever este texto, graças à natureza que me deu mais um oportunidade, mas, principalmente, graças ao meu irmão que me deu um orgulho que nem aquele Oceano onde eu ia terminando a minha passagem por esta vida, serve como termo de comparação para a sua dimensão.

Sim. Se o meu orgulho fosse passível de observação, visto da lua, não havia Atlântico ou Pacifico que chegassem para ele.

Regista isso.

O bebé que eu conheci numa incubadora, naquela maternidade que hoje já nem existe, que adormeci várias vezes com a minha voz (de rouxinol), que levei à creche, que tomei conta, que brinquei tantas vezes, que discuti, que ensinei, que eduquei (ou tentei fazê-lo), com quem também cresci e escrevi a minha história, foi naquele dia, naqueles minutos duros, o meu herói.

A coragem que enfrenta o medo, é uma coragem maior. 

É aquela que para além de vencer o perigo, vence a blindagem da alma, e essa só os verdadeiros e bons Homens a alcançam.




Para ti, 


com respeito e reconhecimento.